2014 in review

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Imagens da casa-oficina em 2013

Estado da casa-oficina de António Soares dos Reis no Inverno de 2013

As imagens que se seguem são da autoria de Carlota Cunha e de José Eduardo Gama da Direcção Regional de Cultura do Norte – Direcção de Serviços de Bens Culturais,  no sentido de integrarem o pedido de classificação da casa- oficina do  escultor António Soares dos Reis a Monumento de Interesse Nacional. 
 
Diz a famosa citação de Antoine Lavoisier que “ Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.” Parece que com o nosso Património é sobretudo ” pouco se cria, quase tudo se perde, pouco ou nada se transforma”
 
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A Carlota Cunha e José Eduardo Gama os nossos agradecimentos.

Petição pela classificação da casa-oficina do grande escultor António Soares dos Reis a Monumento de Interesse Nacional

Para: Direcção Geral do Património Cultural e Direcção Regional de Cultura do Norte

António Soares dos Reis (1847-1889) foi um dos mais geniais escultores do seu tempo e dos mais grandiosos de Portugal. Já na época em que viveu recebeu mais elogios dos colegas e professores estrageiros do que dos seus conterrâneos. Mercier, escultor francês seu contemporâneo, o dissera em Paris: “Il est le plus grand de nous”. Por ignorância ou por inveja nunca recebeu em vida o devido valor como artista.
Infelizmente esta foi uma situação que pouco ou nada mudou, o que se pode ver pela casa que lhe pertenceu e que continua ao abandono em cada vez maior estado de degradação. Esta casa, projectada por José Geraldo Sardinha a partir de um esboço desenhado por António Soares dos Reis foi o local onde o artista viveu, trabalhou, deu aulas e se suicidou.
Poucos livros, por mais completos que sejam podem contar tão bem os últimos anos da vida do artista como esta casa. Foram várias as propostas que ao longo dos anos foram sendo apresentadas para a recuperação e reabilitação deste espaço de forma a torna-lo um local de homenagem ao grande Mestre Soares dos Reis. Por alguma razão, que nos escapa, esses projectos nunca se concretizaram e a casa foi sendo esquecida até chegar ao estado de degradação em que hoje se encontra.
Agora que a proposta de Classificação do imóvel que foi casa oficina de António Soares dos Reis, sita na Rua Luís de Camões nº 207, Vila Nova de Gaia, foi apresentada à Direcção Regional de Cultura do Norte, dirigimo-nos à Direcção Geral do Património Cultural solicitando que esta seja classificada como Monumento de Interesse Nacional para que a partir deste estatuto lhe seja reconhecido o inestimável valor histórico e memorativo que detém e desta forma tornar possível a sua futura recuperação enquanto imóvel e reabilitação enquanto marco da nossa história.

http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT72662

16 de Fevereiro de 1889 – Faleceu António Soares dos Reis

O Caminho da tragédia  

Máscara fúnebre de António Soares dos Reis, modelada em gesso, do natural, por Teixeira Lopes (pai).

Máscara fúnebre de António Soares dos Reis, modelada em gesso, do natural, por Teixeira Lopes (pai).

 

No dia 17 de Fevereiro de 1889 lia-se no Diário de Notícias:

Porto, 16 – Suicidou-se hoje às 08h00 da manhã, na sua casa da Rua de Luís de Camões, em Vila Nova de Gaia, disparando dois tiros de revólver na cabeça, o eminente estatuário Soares dos Reis, lente de escultura na Academia de Belas Artes e autor de verdadeiras obras-primas. (…) São desconhecidas as causas que determinaram o suicídio.

   Colocou termo à vida a 16 de Fevereiro de 1889 mas o caminho que levou à tragédia começou anos antes.

   Em 1887, quando terminou a Estátua de Afonso Henriques, para Guimarães, a sua saúde voltou a piorar e em carta à Academia Portuense de Belas Artes, informa que esteve recentemente instalado numa casa de saúde, tendo depois seguido para Lisboa com o intuito de mudar de ares. É nessa altura que conhece Elisa Leech, a qual pede ao artista para que a retratasse. Desse trabalho resultou o famoso Busto da Inglesa, que ficaria inacabado por esta deixar de aparecer a servir de modelo. Para o artista esta rejeição foi mais um duro golpe.

    Em 1888 abandona Lisboa para regressar a Vila Nova de Gaia e dirige uma carta à Academia Portuense de Belas Artes onde demonstra a sua intenção de abandonar a regência da cadeira de escultura.

    Em 1889 a sua depressão agrava-se sob a forma de grandes perturbações mentais e irritabilidade, procurando constantemente o isolamento. A 15 de Fevereiro no que parecia ser uma aparente melhora, a reúne-se com os amigos e, com grande entusiasmo, apresenta o seu projecto para o Monumento ao Infante D. Henrique.

   D. Amélia, sua esposa, desconfiando que algo de errado se passava , na véspera da tragédia,  escondeu-lhe a pistola. Na manhã de dia 16, Soares dos Reis levantou-se e foi dar alguns retoques na obra em que trabalhava na altura, o Busto de Fontes Pereira de Melo. Pouco depois ouviu-se um estrondo na sala do rés-do-chão, semelhante a uma detonação fazendo D. Amélia acorrer ao local, para ver o que se passava, onde encontrou o marido, em pé, limpando a pistola e desculpando-se que se havia descuidado e ela disparara acidentalmente. Mas, pouco depois, Soares dos Reis dirigiu-se para o seu escritório e de lá soou o mesmo estrondo que se ouvira anteriormente, só que desta vez quando a esposa chegou já o encontrou sem vida.

   Antes de premir o gatilho deixou gravado na parede do quarto:

Sou cristão, porém nestas condições a vida para mim é insuportável. Peço perdão a quem ofendi injustamente, mas não perdoo, a quem me fez mal.

   Foi sepultado no cemitério de Mafamude, em Vila Nova de Gaia, onde, contra o que é natural num suicida, teve um enterro cristão. O Busto sobre a sua campa é da sua autoria.

 

Campa de António Soares dos Reis, Cemitério de Mafamude

Campa de António Soares dos Reis, Cemitério de Mafamude

Dificuldades, derrotas e vitórias

Em 1882, Soares dos Reis, apresentou ao Conselho Escolar da Escola de Belas Artes do Porto uma proposta de reforma (ver “Reforma do Ensino: Propostas”). Esta veio a ser rejeitada uma vez que muitas das suas disposições contrariavam a lei orgânica que não se quis ver alterada em 1881.

Mas esta proposta viria a ser publicada na revista A Arte Portuguesa, como assunto de interesse, em Setembro de 1882,  artigo esse assinado por Manoel M. Rodrigues (1847-1899).

Assunto de Interesse (1ª parte)Assunto de Interesse (2ª parte)

Para Soares dos Reis este era mais um golpe que a vida lhe pregava. Exaltou-se, adoeceu e quis abandonar a Academia. Nesse ano esteve em repouso. Pintava, jardinava, lia obras sobre botânica, tocava violão, cantarolava. Por fim, acompanhado do pintor J. Vitorino Ribeiro (1849-1923), faz uma viagem pela Espanha e, novamente, por França.

Em Outubro de 1885, agora enquanto delegado da EBAP, apresentou perante o Conselho Superior de Instrução Pública várias propostas que, finalmente, viu serem admitidas e aprovadas por unanimidade.Todavia, foi logo avisado de que perderia o seu tempo e palavras, porque o Governo não estava disposto a desenvolver aquele ensino de belas-artes, nem a autorizar «despesas avultadas» como as requeridas.

Apesar das muitas desilusões não desistia da sua intenção de reformar o ensino e, como uma das medidas, para melhorar a sua Escola fez obras nas salas de aulas para os seus alunos e algumas melhorias conseguiu tiradas a ferro de um erário famélico.

Em 1886 apresentou ao corpo docente da EPBA o Programa e Regulamento do Curso de Escultura (ver “Reforma do Ensino:Propostas”), que então dirigia. Este foi recusado, e ele impedido de sequer apresentar as suas teses. Face à atitude dos seus colegas decidiu publicar um opúsculo, editado pelo Comércio do Porto, com o Projecto de Reforma e Regulamento do Curso de Escultura, que dedicou aos seus amigos José Simões de Almeida  (1844-1926) e José António Gaspar, também professores da Escola de Belas Artes de Lisboa