O Caniço foi para S. Lázaro

Oriundo de uma família humilde, António Soares dos Reis, filho de Manuel Soares  e Rita do Nascimento, nasceu a 14 de Outubro de 1847, na freguesia de S. Cristóvão de Mafamude, em Vila Nova de Gaia .

O  pai, conhecido pela alcunha de Manuel Caniço, possuía uma pequena mercearia, onde António ajudava nos tempos livres e depois das aulas. A alcunha do pai passou para o filho e naquele tempo Soares dos Reis era conhecido como Caniço .

Já em criança, aproveitava todo o tempo que podia para rabiscar bonecos em qualquer papel que lhe aparecesse à frente, ou a esculpir, com o seu canivete, figuras de madeira, quando não bonecos de barro, cujo material ia buscar à Fábrica de Louça da Torrinha, na rua de General Torres.

Um dia, o seu vizinho, Diogo de Macedo, ou porque viu desenhos ou pequenas esculturas de António, ou ainda porque este desenhara nas paredes caiadas do muro de sua casa, achou-o com jeito para as Belas Artes, e questionou-o: Tu não gostavas de ir para as Belas Artes?

António ter-lhe-á respondido afirmativamente e isso foi  suficiente para que Diogo de Macedo, juntamente com o pintor Francisco Resende, tenha tomado a decisão de falar com Manuel sobre a possibilidade de matricular o filho na Escola de Belas Artes. Antoninho devia estudar, porque demonstrava muita habilidade de mãos, e era uma pena que estivesse para ali, perdido, numa mercearia, argumentou Diogo de Macedo que, para evitar qualquer hipótese de recusa, se ofereceu logo para custear metade das despesas.

Manuel aceitou, sem no entanto deixar impor uma contrapartida: enquanto estudasse, o filho teria de ajudar ao balcão durante os tempos livres, uma vez que as aulas eram nocturnas.

(Retratos dos pais do artista, desenhados pelo próprio)

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