Entre o professorado, 1882, e o fim, 1889:

1882

Comércio e Indústria – Medalhões, executados em estuque, para a cúpula da escada nobre do edifício da Bolsa do Porto.

O AbandonadoModelou esta figura propositadamente para o Bazar promovido pelo Centro Artístico Portuense, em favor da viúva e filhos do arquitecto Soller.

O Abandonado

O Abandonado

1883

Francisco de Almada e Mendonça – Busto colossal do monumento erguido, por subscrição particular, no cemitério do Repouso, ao célebre corregedor.

Viscondessa de Moser  –  Segundo Manuel M. Rodrigues, na obra do Dr. Alves Mendes, este era considerado como um dos bustos mais notáveis de Soares dos Reis devido à grande semelhança com a retratada mas também pela sua qualidade de execução.

Busto da Viscondessa de Moser

Busto da Viscondessa de Moser

1884

Hintze Ribeiro – O busto que existia em mármore de Carrara pertencia à associação Comercial do Porto.

 Busto de Hintze Ribeiro (gesso)

Busto de Hintze Ribeiro (gesso)

José Correia de Barros – Busto do então presidente da Câmara do Porto.

 

1885

Diogo José de Macedo – Medalhão em gesso retratando o avô de sua esposa.

Amélia de Macedo – Medalhão em gesso retratando a avó de sua esposa.

Joaquim de Pinho– Retrato em medalhão. 

Dr. Fernandes Dourado – Grato ao médico seu amigo Dr. Francisco Fernandes Dourado pelos serviços clínicos que este lhe prestou, modelou-lhe o retrato em medalhão. Este trabalho foi também reproduzido em mármore de Carrara

Busto do Dr. Francisco Dourado

Busto do Dr. Francisco Dourado

Emília das Neves Trata-se do busto da actriz Emília das Neves que Soares dos Reis conhecera no palco do Teatro Basquet e a quem muito admirava. Apesar de iniciado em 1885, o escultor só o concluiu em 1888 e foi a última obra que apresentou em público, a qual foi inaugurada no átrio do Teatro D. Maria, em Lisboa. Modelado a partir de várias fotografias, todas diferentes umas das outras, o que dificultou o trabalho ao escultor, não terá deixado o seu autor totalmente satisfeito com o resultado final, como indica na sua carta à revista Occidente, datada de 25 de Dezembro de 1888.

Busto da actriz Emília das Neves

Busto da actriz Emília das Neves

1886

Félix Avelar Brotero  – Esta estátua, em mármore, destinada ao Jardim Botânico de Coimbra, representa o botânico sentado, cabeça levemente inclinada e vestes catedráticas, de borla na mão esquerda. Desse trabalho existia uma maquette, em terracota, que o escultor gentilmente ofereceu a Diogo José de Macedo Júnior, que o acompanhou a Coimbra, em 1887, por ocasião da inauguração do monumento no jardim botânico.

Estátua de Brotero (gesso patinado)

Estátua de Brotero (gesso patinado)

Augusto Cândido RamosRetrato em Medalhão.  

Medalhão de Augusto Cândido Ramos (bronze)

Medalhão de Augusto Cândido Ramos (bronze)

1887

D. Afonso Henriques Esta estátua colossal, representando o primeiro monarca português, destinada ao monumento que se ergueu em Guimarães viu ser escolhido para seu autor António Soares dos Reis. Actualmente é uma das mais representativas imagens identitárias dessa cidade.

A 2 de Setembro de 1885 foi lavrado o contrato segundo o qual o monumento a Afonso Henriques deveria ficar concluído no prazo de 2 anos. Nele colaboraram, sob a vigilância do Mestre, dois dos seus discípulos, Marques Guimarães e Serafim Neves, embora tenham realizado apenas algum do trabalho material. A criação do pedestal entregou-a Soares dos Reis ao hábil arquitecto, e seu amigo, José António Gaspar. O escultor queria um pedestal que não fosse demasiado elevado para que a figura do rei e os seus acessórios cheios de pormenores pudessem ser vistos e apreciados de perto, em todas as suas minudências.

As primeiras reacções a esta estátua de Afonso Henriques foram para apontar o defeito que viam ser o braço nu que, pelos modos, o rei não deveria ter usado! Na verdade, a primeira ideia de Soares dos Reis, ao modelar a estátua de Afonso Henriques, era apresenta-lo já numa idade avançada, gozando o merecido repouso que quer a longa idade quer o seu historial de vida lhe tinham legitimamente concedido. Mas entretanto acabou por substituir essa ideia inicial pela imagem do rei vencedor de Ourique,”robusto e esperançoso, pronto para a luta”. Para uma materialização exemplar desta nova ideia procurou soluções na obra La Chevalerie de Léon Gautier, livro profusamente ilustrado e documentado, que o seu amigo Diogo J. de Macedo Júnior encontrou numa antiga livraria, a Magalhães & Moniz, e cuja leitura lhe sugeriu. E foi após a análise a esta obra que o artista resolveu alterar a armadura que tinha começado a fazer, substituindo a cota de armas curta pelo lorigão de placas redondas até ao artelho. Mas a questão do braço também o preocupava já que com ele pretendia encarnar a força hercúlea e a virilidade máscula do famoso vencedor de Ourique, que com a sua gloriosa espada abriu fundo o cabouco em que seguramente firmou e cimentou os alicerces da nação portuguesa o que seria mais difícil de conseguir sem ser através de um braço nu. A solução a esse dilema encontrou-a na já referida obra de Léon Gautier, numa vinheta impressa com o elemento gráfico d’après la tapisserie de Bayeux (fin du XV.e siècle)! Era a resposta às suas necessidades, estava ali bem interpretado, em todos os seus detalhes, o rei invencível e grande conquistador.

O modelo em gesso ficou concluído em 1887, seguindo-se à sua fundição em bronze, a qual foi feita na fábrica “Aliança”, de Massarelos.

Actualmente a estátua já não se encontra na praça para a qual foi encomendada, tendo sido transferida para a entrada do recinto que dá acesso à Casa dos Duques e ao Castelo. Já não se encontra no pedestal original de autoria de Serafim Neves.

D. Afonso Henriques (bronze)

D. Afonso Henriques (bronze)

Dr. Artur Ferreira Macedo – Retrato em medalhão executado quando o escultor se hospedou na casa deste, em Lisboa.

 

1888

Mrs. Elisa Leech – Este busto em mármore, também conhecido como O Busto da Inglesa, é uma das obras mais emblemáticas do escultor quer pela história que o envolve quer por ter sido uma das últimas obras do Mestre, mas também pela sua elevada qualidade. A retratada, Mrs. Elisa Leech era mãe do ministro Inglês na corte de Berlim, foi ao Porto, em 1888, visitar uma amiga que era preceptora dos filhos de António Nicolau de Almeida, um negociante de vinhos muito bem cotado no meio comercial e cultural da época. Por se sentir desconfortável em hotéis, Mrs. Leech acabou por ficar hospedada em casa do Sr. Nicolau de Almeida, onde durante um jantar travou conhecimento com António Soares dos Reis que, como amigo que era do proprietário, amiúde frequentava a casa. Foi então proposto a Soares dos Reis que retratasse Mrs. Leech.

O escultor aceitou a proposta e rapidamente deu andamento à modelação que teve o seu início em Lisboa. Mas o busto não agradou a retratada que não se viu representada nele, não por diferença fisionómica mas por diferença de postura. Soares dos Reis não se limitou a retratar aquela inglesa em particular mas tentou, através dela, retratar o que deveria acreditar ser o carácter e postura ingleses. A retratada, foi aparecendo com cada vez menos frequência até deixar completamente de aparecer, sem nunca reclamar o trabalho que já tinha inclusivamente pago. Ao ver a perda de interesse por parte da retratada sentiu o escultor tal desânimo que acabou por nunca concluir a obra que retocou, pela última vez em 1889.

Busto de Elisa Leech  ou Busto da Inglesa (mármore)

Busto de Elisa Leech ou Busto da Inglesa (mármore)

Leandro Braga – Modelou o retrato em medalhão.          

Simões de Almeida – Modelou o retrato em medalhão.    

 

1889

Fontes Pereira de Melo – Este busto foi modelado em barro, e executou em mármore, por fotografias e era destinado à Associação Comercial do Porto. Foi a última encomenda de Soares dos Reis e não ficou inteiramente acabada.

Numa das ocasiões em que o jovem Ricardo de Macedo foi visitar o mestre à sua oficina na Rua Luís de Camões assistiu a um episódio muito sui generis que envolveu este busto: 

Sobre um madeiro tinha secado a lama em que delineara o busto de um qualquer magnate político. Talvez o Senhor Fontes… Mirou-o por todos os lados, ora afastando-se ou aproximando-se. Eis, senão quando, ouvi-o dizer: «Espera que já te ensino…» E com um dos maços de madeira de que se servia nalguns dos seus trabalhos, vai ao busto e… zás, trás, fê-lo, num momento em fanicos. «Porque matou o homem?» inquiri, atemorizado. «Não o matei, não senhor. Cumpri, somente, os preceitos do evangelho: Homem, és pó e ao pó hás-de tornar.

Busto de Fontes Pereira de Melo (gesso)

Busto de Fontes Pereira de Melo (gesso)


Do regresso de Roma,1872, até ao professorado, 1882:

1872/1973

Cristo Morto – Esta foi a primeira obra que Soares dos Reis executou em Portugal logo após ter regressado de Roma. A imagem, um Cristo Morto, feito em gesso e madeira, teve origem no pedido do Abade Santana e como destino o altar de S. Vicente, na Igreja de S. Cristóvão de Mafamude, Vila Nova de Gaia. O jovem artista não só acedeu ao pedido do abade, e de alguns dos seus conterrâneos, como fez também o donativo da imagem. Acontece que Soares dos Reis deu à imagem todas as características humanas, inclusive as partes genitais, o que ao ser verificado pelas devotas criou um grande alvoroço. Estas, para corrigir este excesso de realismo do escultor, acabaram por envolver a figura numa numerosa quantidade de toalhas e rendas, deixando a descoberto apenas as extremidades das pernas e parte do busto.

1972 - Cristo Morto

Cristo Morto

Virgem das Dores – Trata-se de uma imagem de roca em madeira para a Igreja de S. Francisco, em Guimarães.

Neptuno, Júpiter, Juno e uma Dançarina – Criadas para a Fábrica de Louça do Sr. João do Rio Maior, as estatuetas Neptuno, Júpiter e Juno e uma Dançarina, são imitação das de Canova. Todas elas foram reproduzidas em barro cosido e vidrado e alguns exemplares figuraram em várias exposições. Depois de vidradas foram mandadas à exposição de Viena de Áustria.

 187*

Saudade, Indústria e Comércio – Produzidas para o canteiro portuense Laurentino da Silva. As três foram reproduzidas em ponto grande, em mármore de Carrara, para um mausoléu do cemitério de Agramonte, e a primeira frequentemente reproduzida com diferentes dimensões.

 1874/1975

Senhora da Vitória – Imagem em madeira, destinada à Igreja da Vitória no Porto. Esta, tal como a grande maioria das imagens religiosas de Soares dos Reis, não foi bem aceite pelo seu ar aparentemente pouco divino. Os seus encomendantes, apesar do descontentamento, nuca ousaram contrariar o mestre fazendo-lhe a devolução do trabalho e a imagem foi permanecendo no templo a que fora destinada. Quase meio século após a sua chegada, alguém que também lhe notava um lado mais humano do que divino, decidiu levá-la a um santeiro para que lhe trocasse a cabeça por uma outra “mais adequada”. Quando este acontecimento se tornou público não faltaram vozes dissonantes a elevar-se face ao acontecido.

Nossa Senhora da Vitória

Nossa Senhora da Vitória

Anjo decorativo – Imagem em madeira também destinada à Igreja da Vitória no Porto.

Visconde de Tamandarê e Marquês do Herval – Os bustos do Visconde de Tamandarê e do Marquês do Herval foram executados em mármore de Carrara, e ambos modelados a partir de fotografias. Tinham como destino o Rio de Janeiro mas antes de serem enviados estiveram em exposição em Lisboa, em 1875.

Artista na Infância – Escultura em mármore, era propriedade da Duquesa de Palmela. Foi a primeira obra a pôr em maior evidência a mestria do seu autor.

Cabeça de Negro – Busto, em mármore, é a cabeça de um rapaz preto, a quem serviu de modelo um jovem conhecido de Soares dos Reis, que era oriundo das Terras de Santa Cruz e se chamava Domingos. A peça, em mármore, foi realizada para o Sr. Francisco de Oliveira Chamiço, de Lisboa. A obra foi exibida em várias exposições portuguesas e o modelo pertencia à Academia de Belas Artes de Lisboa.

Cabeça de Negro (gesso)

Cabeça de Negro (gesso)

Carpideira e Anjo (com emblema da Paixão) – Ambos os modelos foram realizados para o canteiro portuense José Amatucci. Quando Soares dos Reis terminou Anjo, o canteiro José Amatucci levou ao atelier o encomendante da estatueta, a fim de ver se a obra o agradava. Ao vê-la, o encomendante olhou-a com horror e recusou-a dizendo que a figura não era decente por ter os braços e uma pequena parte do peito nus, preferindo um daqueles modelos vulgares que se podia encontrar em qualquer cemitério. Assim, a estatueta deixou de ser reproduzida mas acabou por vir a ser exibida na Exposição Trienal de 1874. Depois disso, o modelo do anjo passou a pertencer ao canteiro Laurentino José da Silva.

 1875

Saudade – Estatueta em mármore de Carrara, pertencia a Francisco de Oliveira Chamiço. O modelo estava na posse de um Sr. José Victorino Damazio.

1876

Domingos de Almeida Ribeiro  – Trata-se de um busto cujo retratado era amigo de Soares dos Reis e professor do Liceu do Porto. A sua execução, em mármore, é considerada por muitos primeiro ensaio de naturalismo por parte deste artista.

Conde Ferreira – A estátua do Conde Ferreira, cujo mármore seria destinado à campa do benemérito da Cidade, no cemitério de Agramonte é colossal, com 2.5m de altura é, sem dúvida, uma das obras mais notáveis do escultor.

Depois de retirado do cemitério de Agramonte, onde estava muito mal tratado pelas intempéries, a escultura foi levada para o Museu Soares dos Reis onde, actualmente, pode ser vista, com o seu ar sereno e sorriso bondoso. Sobre a expressão que Soares dos Reis deu a esta obra alguém o advertiu de que não era igual à do Conde, ao que o escultor respondeu:

– Mas o Conde de Ferreira não era uma pessoa bondosa, amigo das crianças, trato fino, coração aberto à caridade?

– Isso era!

– Pois então este é o Conde de Ferreira.  

Ainda sobre a forma como o artista representou o Conde de Ferreira, Diogo de Macedo, em Soares dos Reis Estudo Documentado conta como o artista foi interpelado por alguém que estranhou ele ter dado tão bondoso aspecto, ao homem que acusavam de ter enriquecido como negreiro no Brasil ao que o artista respondeu que para a execução do corpo tinha seguido, quase fielmente, o modelo mais parecido com a imagem que o Conde tinha em vida mas que para a cabeça, tivera sempre presente, acima de tudo, o testamento admirável do benemérito, sem no entanto deixar de procurar a sua verdade fisionómica.

Conde de Ferreira

Conde de Ferreira

1877

Cristo Agonizante – Trabalho para uma Igreja em Vila Nova de Gaia.

Riqueza, Música, História e Trabalho – Quatro modelos de Estatuetas para o canteiro de Lisboa A. Moreira Ratto. Mais tarde foram as quatro reproduzidas em lioz e, essas reproduções, enviadas para o Brasil.

Riqueza, Música, História e Trabalho

Riqueza, Música, História e Trabalho

Emília Pinto Leite – Foi concluído o busto em gesso, mas o mármore ficou apenas esboçado.  

 1878

Francisco Pinto Bessa – Cconsiderado como um dos mais fortes retratos realizados por Soares dos Reis. Estava exposto na Sala de Sessões da Câmara Municipal do Porto.

Busto de Francisco Pinto Bessa

Busto de Francisco Pinto Bessa

Camões – Baixo-relevo feito por galvanoplastia.

Flor Agreste Em 1878 começou a modelar, em barro e em gesso, a “Flor Agreste” cujo mármore só concluiu em 1881. A modelo foi, segundo as fontes, uma vizinha de Soares dos Reis, em Vila Nova de Gaia.

Diogo José de Macedo Júnior fez a seguinte descrição sobre esta peça: O seu autor, que sabia escolher modelos, copiou efectivamente, sem preocupação de espécie alguma, a cabeça da linda e meiga carvoeira que se lhe deparou, juntando ao barro em que tão primorosamente a modelou, o cobre do real, no dizer de Alves Mendes, com o ouro do ideal .

Na Exposição Centro Artístico Portuensede 1881 foi adquirida pela quantia de 250$00 reis  O busto passou a pertencer a Rebello Valente e o modelo era propriedade de Diogo José de Macedo. Mais tarde o busto passou a ser propriedade do coleccionador de Arte, Tomás Archer de Carvalho, posteriormente formou-se uma comissão de admiradores do Escultor que angariou fundos para a sua aquisição, e o doaram ao Museu Municipal, hoje Museu Nacional Soares dos Reis.”

Flor Agreste

Flor Agreste

1879

Mercúrio e Comércio – Modelos para canteiros, destinados a uma fábrica de cerâmica.

A Saudade – Trata-se de um novo modelo, este para canteiro.

 1880

Camões – Este busto monumental de Camões foi criado para comemorações do centenário do poeta e foi esculpido em apenas 4 dias, com a colaboração de Marques de Guimarães, para o Ateneu Comercial do Porto.

Busto de Camões

Busto de Camões

S. José  e S. Joaquim  – Imagens em granito criadas para fachada da Capela do Palacete dos Pestanas, no Porto, que era propriedade do Sr. José Joaquim Guimarães Pestana da Silva. Os modelos em gesso pertenciam à A.P.B.A.. Soares dos Reis executou também para esta capela vários modelos de ornamentação.

 1881

Filha dos Condes de Almedina  – Estatueta em mármore de Carrara, concluída em 1882, representa a Filha dos Condes de Almedina, os quais eram os proprietários da obra. É a figura de uma criança com um rosto quase angelical, cuja delicada roupa está repleta dos mais requintados pormenores, com uma reprodução finamente trabalhada e minuciosa das rendas. O modelo da estatueta era propriedade do autor e estava exposto no C.A.P.. Esta peça, que também era conhecida por Primavera, é actualmente propriedade do MNSR, onde se encontra patente ao público.

Filha dos  Condes de Almedina

Filha dos Condes de Almedina

Joaquim Pinto Leite – Trata-se de um busto em gesso cuja obra foi recusada pelo retratado.

Narciso e a Morte de Adónis  – Foram as provas que o escultor teve que realizar no concurso para o preenchimento da vaga de Professor de Escultura da Academia Portuense de Belas Artes.           

Narciso (gesso)

Narciso (gesso)

Marques de Oliveira – Este busto, do seu amigo e professor da APBA, foi modelado para servir de recordação da vitória, acabada de obter, no concurso para professor da dita Academia.

 Marques de Oliveira  (gesso)

Marques de Oliveira (gesso)


Pensionato: de Paris a Roma

Trabalhos de Soares dos Reis durante o pensionato em Paris:

1868

Academia Sentada Foi a primeira prova que enviou enquanto pensionista em Paris. Cópia do modelo vivo, em gesso, executada sob a direcção de Jouffroy e assinada por este.

Academia, 1868

1869

NegroFoi obra que lhe permitiu a admissão na École Imperiale et Speciale dês Beaux Arts de Paris. Modelo nu sobre uma placa, executada sobre a direcção de Jouffroy (fiel ao neo-classicismo).

Aquiles entregando Briséis Baixo-relevo executado sobre a direcção de Jouffroy.

Aquiles entregando Briseis, 1869

Le tireur d’épines Cópia, executada sobre a direcção de Jouffroy.

Le Tireur d’épines, 1869

1870

Pescador  – Prova escolar, enviada para a Academia, rubricada por Jouffroy.

Pescador, 1970

Obra de Soares dos Reis durante os meses que mediaram entre o regresso de Paris e a partida para Roma:

 1870

Carro de Apolo – Baixo-relevo circular no centro do tecto, em estuque, representando Apolo num carro tirado por quatro cavalos. Este trabalho foi realizado para a casa do Sr.
Joaquim Teixeira de Campo, em Santo Ovídio, Vila Nova de Gaia. Sabe-se que ainda em 1887 este baixo-relevo já tinha sido bastante alterado, possivelmente pela acção de obras de restauro realizadas “pelas ferramentas dos estucadores, que ainda não abandonaram o bárbaro costume de rapar toda a superfície de uma escultura até a deixar cheia de vincos e arestas”[6]. Actualmente faz parte da colecção do MNSR.

Carro de Apolo, 1970

Coração de Maria – Imagem em madeira policromada destinada a um Templo de Guimarães. Quando esta imagem foi levada para o seu destino, os crentes que frequentavam a Igreja começaram a implicar com ela dizendo que não se parecia em nada com as outras Santas e por isso pediram a Soares dos Reis que a retocasse e lhe desse um ar mais divino. O escultor fez-lhes a vontade mas não foi o suficiente para agradar os paroquianos que continuavam a achar que a imagem não parecia suficientemente divina. Essa falta de divindade fazia com que os paroquianos fossem perdendo fé nela e na sua capacidade de realizar milagres, o que os levou a desfazerem-se dela. A Imagem andou em leilão pelas sacristias, acabando por ir parar a lugar desconhecido.

Tempo– Trabalho para canteiro, foi modelado em gesso e representa uma alegoria do Tempo.

General João José de Lima Costa –Busto em barro cozido.

Trabalhos de Soares dos Reis durante o pensionato em Roma:

1871

Domingos Sequeira – Trata-se de um retrato em medalhão, feito em mármore, durante o pensionato em Roma. Para este retrato serviu-se de uma reprodução, em ponto pequeno, do busto do artista, feito pelo seu amigo Tenerani.

1871/72

O Desterrado Em Roma começou a sua estátua O Desterrado que, depois de modelada, deixou em Roma, partindo para visitar outras terras italianas. Segundo o escultor Diogo de Macedo (1889-1959), esta sua saída de Roma deveu-se ao facto de que com a modelação do Desterrado Soares dos Reis “Tinha desabafado uma grande mágoa e precisou de ir respirar novos ares”.  Estátua de grandeza natural, em mármore de Carrara de 1ª qualidade – foi a sua prova de aproveitamento do pensionato nesse país. É a sua obra mais conhecida mas também uma das que mais dissabores lhe trouxe.

Nos últimos meses de 1871 foi informado da suspensão das verbas que eram dadas aos pensionistas no estrangeiro  e que estes deveriam regressar a Portugal até ao fim do mês de Outubro desse ano. Para tal era concedido, a cada um deles, a soma de sessenta mil reis para que pudessem fazer a viagem de regresso. Isto foi um grande problema para Soares dos Reis, que já tinha gasto tudo o que recebera na aquisição do mármore para a realização desta estátua e das obrigações que contraíra com a mesma. Além disso, também já tinha dado início ao desbaste da peça e não a conseguiria terminar em tempo útil para cumprir as novas directrizes. Perante isto escreveu à Academia de Belas Artes solicitando que o seu caso fosse apresentado ao Corpo Académico e ao Conde de Samodães, Francisco de Azeredo Teixeira de Aguilar (1828-1918), na esperança que estes pudessem interferir na decisão tomada pela Comissão Financial do Governo Português em Londres.

Entretanto foi vivendo conforme podia, com o pouco que lhe restava, até  lhe aprovarem o prolongamento da estadia em Roma, recebendo novos subsídios para a conclusão da obra final como pensionista.

Com o prazo alargado, mas ainda assim impossível de satisfazer, não conseguiu terminar a obra em Roma enviando-a, ainda inacabada, para a Academia Portuense de Belas Artes[1]. Como auxílio para a finalizar tirou moldes, ao natural, do modelo vivo, deixando os gessos em Santo António dos Portugueses. Esta é a versão mais divulgada, aparecendo em quase todas as biografias do artista, no entanto, Mons. José de Castro, no artigo Soares dos Reis em Roma, com o qual participa na obra de homenagem Soares dos Reis: in Memoriam, conta uma versão um pouco diferente dos acontecimentos, dando a entender que o escultor teria conseguido terminar a obra ainda em Roma enviando-a, já concluída, para a A.P.B.A.

Em 1881 levou a obra à Exposição de Madrid onde ganhou a 1ª medalha e foi agraciado com o grau de cavaleiro da ordem de Carlos III. Foi nessa altura que, através de um jornal de Lisboa, foi lançada uma campanha, que negava a autoria d’ O Desterrado a Soares dos Reis. Provar que tudo de que o incriminavam não passavam de falsas acusações,  foi algo que rapidamente conseguiu fazer através de documentação que pediu que lhe enviassem de Roma, mas nunca conseguiu esquecer ou perdoar esta infâmia perpetrada contra si.

O Desterrado, 1872


 [1] Mas a estátua para cujo mármore havia concedido, segundo a praxe estabelecida, os invariáveis 360$000, não estava ainda concluida no princípio de Março de 18 de 1872. Precisava de mais tempo e o governo declarou que não dava mais um vintem, suspendendo-lhe em Março a pensão habitual de 50$000 e mandou-lhe 60$000 para o regresso a Portugal. Mesmo desamparado, continuou a trabalhar. A 1 de Junho de 1872 o Conde de Tomar vem em seu auxílio junto de António Rodrigues de Sampaio, que a 23 de Julho resolveu pagar-lhe as pensões atrasadas e as que fossem precisas. Mas Soares não quer mais de 20 dias para a conclusão da estátua desejando somente que o poupassem à despesa do transporte para a Academia Portuense das Belas-Artes. (…) A estátua conclui-se rápidamenete comassombro geral. A mesma veio para Portugal e o gesso deixou-o de presente e lembrança ao Instituto de Santo António. in Mons. José de Castro (s.d.);Soares dos Reis em Roma,  Soares dos Reis: in Memoriam.

Trabalhos de António Soares dos Reis (1861-1867)

Trabalhos de António Soares dos Reis enquanto aluno da Academia Portuense de Belas Artes:

1861

Cabeça de VelhoFoi com esta obra que conseguiu a aprovação no 1º ano de escultura.

1862/3

Fauno Escultura, a partir de uma obra de gesso, realizada para o exame de 2º ano, à qual a Academia atribuiu um elogio.

1865

AcademiaCópia do natural, executada em barro, para o exame do 4º ano. Também esta obra foi alvo de elogios.

1866

Viriato – Estátua em gesso realizada como prova de conclusão da formação na Academia,para a cadeira de escultura.

Hércules esmagando entre os braços o gigante Anteo –  Baixo-relevo em barro que, em conformidade com os estatutos, realizou em apenas 3 horas e em gabinete fechado.

Hércules esmagando entre os braços o gigante Anteo, 1866

186*

Lima e Costa (cirurgião militar)Busto, em barro cozido, realizado sob a direcção de António Luís da Silva Cruz com quem fez alguns ensaios em escultura, como formação extra curricular. No período em que frequentava a A.P.B.A.

186*

CristoCom 40 cm de altura, também este trabalho foi realizado sob a direcção de António Luís da Silva Cruz, nas mesmas condições que o anteriormente referido.

1867

Firmino Este busto, cujo modelo, Firmino, era seu colega na Academia, serviu como prova para o concurso de Pensionista do Estado. Alguns críticos deram a esta obra o título de “Desafio” já que consideravam tratar-se de “uma escultura com alma, de grande riqueza interior, patente não só na firmeza do olhar como na posição oblíqua, muito diferente dos cânones tradicionais, a demonstrar um conceito estético diferente daquele que tinha aprendido com os seus mestres.”[1].

1867 - 17367.01 TC -

Firmino – 1867

Academia– Também como prova para pensionista do Estado. Trata-se de baixo-relevo modelado em pelo natural.

Mercúrio adormecendo Argos ao som de uma flauta– Esboceto em baixo relevo realizado em gabinete fechado,  também serviu de prova para o concurso de Pensionista.

Mercúrio e Argos, 1867


[1] M. Silva (1889), A Modernidade na Arte de Soares dos Reis, B.A.C.A.G., p. 5