Dificuldades, derrotas e vitórias

Em 1882, Soares dos Reis, apresentou ao Conselho Escolar da Escola de Belas Artes do Porto uma proposta de reforma (ver “Reforma do Ensino: Propostas”). Esta veio a ser rejeitada uma vez que muitas das suas disposições contrariavam a lei orgânica que não se quis ver alterada em 1881.

Mas esta proposta viria a ser publicada na revista A Arte Portuguesa, como assunto de interesse, em Setembro de 1882,  artigo esse assinado por Manoel M. Rodrigues (1847-1899).

Assunto de Interesse (1ª parte)Assunto de Interesse (2ª parte)

Para Soares dos Reis este era mais um golpe que a vida lhe pregava. Exaltou-se, adoeceu e quis abandonar a Academia. Nesse ano esteve em repouso. Pintava, jardinava, lia obras sobre botânica, tocava violão, cantarolava. Por fim, acompanhado do pintor J. Vitorino Ribeiro (1849-1923), faz uma viagem pela Espanha e, novamente, por França.

Em Outubro de 1885, agora enquanto delegado da EBAP, apresentou perante o Conselho Superior de Instrução Pública várias propostas que, finalmente, viu serem admitidas e aprovadas por unanimidade.Todavia, foi logo avisado de que perderia o seu tempo e palavras, porque o Governo não estava disposto a desenvolver aquele ensino de belas-artes, nem a autorizar «despesas avultadas» como as requeridas.

Apesar das muitas desilusões não desistia da sua intenção de reformar o ensino e, como uma das medidas, para melhorar a sua Escola fez obras nas salas de aulas para os seus alunos e algumas melhorias conseguiu tiradas a ferro de um erário famélico.

Em 1886 apresentou ao corpo docente da EPBA o Programa e Regulamento do Curso de Escultura (ver “Reforma do Ensino:Propostas”), que então dirigia. Este foi recusado, e ele impedido de sequer apresentar as suas teses. Face à atitude dos seus colegas decidiu publicar um opúsculo, editado pelo Comércio do Porto, com o Projecto de Reforma e Regulamento do Curso de Escultura, que dedicou aos seus amigos José Simões de Almeida  (1844-1926) e José António Gaspar, também professores da Escola de Belas Artes de Lisboa

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O Professor

Em 1881 faleceu o professor da Academia Portuense de Belas Artes, Manuel da Fonseca Pinto, deixando vaga a cadeira de escultura na APBA. Os amigos de Soares dos Reis pediram-lhe que concorresse, mas ele, a princípio, não quis.

Academia de S. Lázaro (Academia Portuense de Belas Artes)

Academia de S. Lázaro (Academia Portuense de Belas Artes)

Hesitou muito antes de aceitar o lugar,

não que lhe repugnasse o ensino ou lhe faltasse o desejo de frutificar em outros, os recursos da sua aptidão própria, mas porque sentia que a sua entrada na Academia, só se podia dar, quando reformas profundas a colocassem em circunstâncias compatíveis com as ideias que bebera no seu longo tirocínio artístico, no estrangeiro,

só o fazendo após lhe terem asseverado que unicamente como

professor daquele estabelecimento é que podia remover os embaraços com que contava, visto o estado em que se encontrava o ensino na Academia, e sobretudo na aula de Escultura.

Só à última da hora, na mesa dum antigo Café de S. Lázaro, é que escreveu o requerimento. As provas do concurso foram:

Narciso, de perfeita execução, uma academia impecável,

Narciso, gesso, 1881 -

e

Morte de Adónis, em baixo-relevo, que é uma obra-prima.

Morte de Adónis , gesso, 1881 -

 Entrou no professorado. Em 20 de Janeiro de 1882 foi aceite, por unanimidade, Professor de Escultura da Academia Portuense de Belas Artes.